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honestamente | não repetir em casa.

17
Jan22

sagração do dia | as mãos silenciosas

Ana de Deus

The Picsees

ele nasceu com um mapa nas mãos, sabia-o. tinha esquecido como o ler. desde criança que passava horas absorto, a tentar decifrá-lo. como quem tenta resolver um quebra-cabeça. nuns dias via encruzilhadas, nou­tros horizontes, nuns dias reconhecia momentos, nou­tros pessoas, nuns dias sentia-se no bom caminho, noutros sem rumo, e as mãos silenciosas, nuns dias surgia uma linha nova, noutros sumia uma mais antiga, nuns dias uma linha crescia, noutros uma decrescia, ele memorizava tudo, nunca se interessou por geografia, tinha muitas teorias, e as mãos silenciosas.

ela nasceu com um mapa no corpo, sabia-o. tinha esquecido como o usar, desde criança que o observava, constelações no tronco, nos braços, nas pernas, por todo o lado, como se tivesse o universo inscrito na pele, nuns dias via caminhos de regresso, noutros caminhos de partida, nuns dias reconhecia galáxias, noutros eclipses, nuns dias sentia-se protegida, noutros inse­gura. e o corpo silencioso, nuns dias surgia um pequeno ponto novo, noutros uma cordilheiia. ela constatava as mudanças, nunca se interessou por astronomia. simplesmente observava, e o corpo silencioso.

um dia as mãos tocaram o corpo, e as linhas começaram a unir os pontos.

Ana Eugénio

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